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Archive for the ‘Religião’ Category

salve, Jorge.

salve, Jorge.

ponto da falange de São  Jorge


quem está de ronda é São Jorge

São Jorge é que vem rondar

abre a porta, oh, minha gente,

deixa a falange de São Jorge entrar


quem está de ronda é São Jorge

São Jorge é que vem rondar

abre a porta, oh, minha gente,

deixa a falange de São Jorge entrar…

***

***

***

saravá, seu Ogum Matinata. Ogunhê!

saravá, seu Ogum Matinata. Ogunhê!

ponto de Ogum Matinata


que cavaleiro é aquele

que vem cavalgando

sob o céu azul?

é seu Ogum Matinata

que vem defender

o Cruzeiro do Sul


eh eh eh

eh eh ah

eh eh eh, seu canjira,

pisa na Umbanda…

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jorge-blog

 

oração a São Jorge

 

eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés, não me alcancem; tendo mãos, não me peguem; tendo olhos, não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

armas de fogo o meu corpo não alcançarão; facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar; cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.

Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça; Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições; e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos.

Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza. e que debaixo das patas de seu fiel ginete, meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. assim seja, com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.

São Jorge, rogai por nós.

***

> salve, Jorge

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saravá os pretos-velhos

       

savará os pretos-velhos

“oi, viva preto, calunga / que eles também são preto, calunga / na gira de preto, calunga / todo mundo é preto, calunga…”

        

o navio negreiro

lá em alto mar

trazendo os africanos

para trabalhar

       

oi, saravá

os africanos,

sua gira é formosa

em qualquer lugar

      

salve o 13 de maio. saravá a linha das almas. salve todos os pretos-velhos e pretas-velhas de Umbanda.

                   

                             andrepinheiro

 

 

 

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Itajaí homenageia babalorixá

mais antigo em atividade no estado

O itajaiense Altamiro Pereira, mais conhecido como Pai Altamiro, completa 50 anos no mais alto cargo da religião de Umbanda. Homenagem será realizada nesta terça, dia 22, na Casa da Cultura Dide Brandão, às 20h30.

 

A Constituição Brasileira de 1988 estabelece como direitos fundamentais, em seu Artigo 5º, Inciso VI, a liberdade de crença e o livre exercício dos cultos religiosos. Mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que professar crenças diferentes do Catolicismo, como as religiões afro-brasileiras, resultava em perseguições, preconceito e até mesmo agressões. O babalorixá mais antigo em atividade no estado, Altamiro Pereira, pode hoje relembrar as dificuldades enfrentadas na década de 50, quando chegou ao mais alto cargo da hierarquia da Umbanda. “Naquele tempo não tinha atabaque, as sessões eram acompanhadas somente por palmas. E, mesmo assim, as pessoas jogavam muita pedra. A pedra comia solta, a ponto de fazer terminarem as sessões”, relata.

Pai Altamiro, como é popularmente conhecido, completa agora 50 anos como babalorixá, (na linguagem popular, pai-de-santo). Pela sua trajetória como líder religioso e suas contribuições à cultura e à religiosidade afro-brasileira, ele será homenageado na próxima terça, dia 22, às 20h30, na Casa da Cultura Dide Brandão, em Itajaí. A iniciativa é da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial (Coepir), Fundação Cultural de Itajaí e Fundação Genésio Miranda Lins (FGML). A homenagem, que contará com apresentações culturais, deverá reunir líderes e integrantes da comunidade religiosa afro-brasileira local e regional, além de simpatizantes e autoridades.

Pai Altamiro

O contato do itajaiense Altamiro Pereira com a Umbanda aconteceu, como ele mesmo revela, devido a “um sofrimento espiritual muito grande”. Ele não se fez de rogado e logo atendeu ao chamado da espiritualidade: “aos 14 anos eu já me desenvolvi, já era desenvolvido”, conta. Sua preparação como pai-de-santo, em 1958, foi realizada em Florianópolis por Malvina Ayroso de Barros, a popular Mãe Malvina, considerada a mãe-de-santo pioneira da Umbanda em Santa Catarina.

Aos 70 anos de idade, Pai Altamiro mensalmente dirige os trabalhos espirituais no Centro Espírita São Jorge Guerreiro, a casa de Umbanda fundada por Mãe Malvina no bairro do Estreito, em Florianópolis. Responsável pela preparação de outros 24 pais e mães-de-santo em Itajaí e vários outros em diversas cidades catarinenses, o filho de Ogum Beira-mar relembra a formação da comunidade umbandista itajaiense. “Naquele tempo não se trabalhava à noite. As sessões eram todas à tarde, às segundas, quartas e sextas-feiras”.

O líder religioso menciona ainda algumas figuras da fase inicial da Umbanda em Itajaí: “tinha o terreiro da Dona Olga, aqui na Rua Almirante Barroso, isso em 1954. Tinha o Seu Liberato, tinha o Pedro da Broa, na atual Caninana (Avenida Irineu Bornhausen). Tinha muito poucos terreiros”. De maneira descontraída, Pai Altamiro demonstra ainda consciência a respeito de sua responsabilidade pelo desenvolvimento da Umbanda e pelos caminhos trilhados por esta religião em Itajaí: “Na Umbanda, dentro de Itajaí, é tudo cria minha”, brinca.

Memória dos Bairros

As narrativas de Altamiro Pereira sobre a Umbanda em Itajaí estão registradas em uma entrevista filmada, com aproximadamente uma hora de duração, que integra o acervo do Programa Memória dos Bairros, da Fundação Genésio Miranda Lins. O programa conta com um acervo de aproximadamente 200 depoimentos de memorialistas de diversas comunidades, que falam sobre diversos aspectos da história de Itajaí.

Para a coordenadora de Promoção da Igualdade Racial de Itajaí, Maria Conceição Pereira, a homenagem a Pai Altamiro é cercada de muita emoção. “Trabalhamos pela inclusão e buscamos dignidade e respeito para as religiões de matriz africana”, afirma. De acordo com ela, os representantes da Umbanda e do Candomblé, convidados para o evento, têm respondido muito bem à iniciativa de homenagear o líder religioso.

 

Fontes:

Altamiro Pereira (Pai Altamiro) – Fone: (47) 3241-2042 / Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial (Coepir) – Coordenadora: Maria Conceição Pereira – Fone: (47) 3341-6148 / Fundação Cultural de Itajaí – Fone: (47) 3341-6131 / Fundação Genésio Miranda Lins (FGML) – Fone: (47) 3348-1886

Texto: André Pinheiro / Jornalista – SC 01159-JP / Fotos: Bianca Minuzzi (FGML)

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CONVITE

        

A Prefeitura de Itajaí, a Fundação Cultural de Itajaí, a Fundação

Genésio Miranda Lins e a Coordenadoria de Promoção da Igualdade

Racial e Gênero de Itajaí convidam a todos para a homenagem a

 

PAI ALTAMIRO

Sr. Altamiro Pereira,

pelos seus 50 anos como Babalorixá.

             

Data: 22/04/2008

Horário: 20h30

Local: Casa da Cultura Dide Brandão – Centro – Itajaí – SC

            

 

                         andrepinheiro, 21/04/2008.

 

 

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foto de Marcos Porto

estaria Nossa Senhora das Graças

provocando fenômeno religioso

em Itajaí?

               

na condição de pesquisador e interessado nos assuntos da religião e religiosidade, não poderia deixar de repercutir esta notícia aqui no blog.

pois bem! a foto acima, feita pelo boa-praça Marcos Porto (Santa / Agência RBS) foi parar no Globo.com esta madrugada.

um suposto fenômeno religioso colocou Itajaí na página principal de um dos mais acessados sites de notícias do país. a nota, bastante curta – na verdade, “telegráfica” – informa apenas que, segundo uma família itajaiense, uma imagem de Nossa Senhora das Graças estaria vertendo óleo.

“de acordo com os donos da peça, ela transpira  óleo com perfume de rosas”, diz o texto. outra informação é que a imagem teria sido adquirida em Curitiba. e nada mais.

além disso, sabemos apenas que Nossa Senhora das Graças é o nome “oficial” de um dos mais carentes e famosos bairros de Itajaí. agora resta apenas aguardar a repercussão da notícia – com os devidos pronunciamentos da autoridades católicas e, talvez, videntes e outros “esotéricos” locais – durante esta sexta-feira.

                                         

                                                 andrepinheiro, 29/03/08

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Intolerância Religiosa – Uma

realidade brasileira

 * Márcio Alexandre M. Gualberto – 3/3/2008

do site http://www.afropress.com/

         

Cantada em verso e prosa, a nossa multiculturalidade, nossa miscigenação e nossa malemolência tupiniquim estão seriamente ameaçadas pela intolerância religiosa que, de norte a sul, está dominando o país.

Não é preciso ser um grande estudioso para saber que num ambiente de desespero e de pouca cultura florescem com mais tranquilidade teses fundamentalistas e visões religiosas que apelam ao místico para buscar respostas para os problemas cotidianos das pessoas. Assim, não são as pessoas que têm problemas, é o diabo que faz com que elas tenham. Tire-se, pois, o diabo de suas vidas que tudo estará resolvido.

Por malandragem, conveniência, má fé e desrespeito, convencionou- se nos meios pentecostais e neo-pentecostais que a melhor representação do diabo como inimigo a ser combatido está nos cultos de matriz africana, onde elementos como Exu, que no sincretismo religioso – que, tal como jabuticaba e dólar na cueca, é coisa que só dá no Brasil -, é identificado com a figura do demonio. Portanto, onde grassa a ignorância, onde ninguém lê e se informa, até porque para entender o sincretismo é necessário o mínimo de estudo, o que se vê é, a cada dia, aumentar a necessidade de e combater o demônio, logo, combater as religiões de matriz africana.

Alguns anos atrás o bispo Van Helde, da Igreja Universal chutou uma imagem de santa na TV e isso virou um caso nacional. No entanto, a mesma Igreja Universal, todos os dias, a todo instante, ataca as religiões de matriz africana e tudo fica por isso mesmo.

Nas favelas cariocas pessoas que são ligadas ao candomblé e à umbanda estão sendo “convidadas” a se retirar por traficantes convertidos às igrejas evangélicas que, no entanto, continuam exercendo seu ofício, agora com as bençãos do Senhor, pois até mesmo cerimonias religiosas para traficantes estão sendo feitas nos morros por pessoas que se dizem pastores de igreja.

Não são poucos os casos onde babas e yalorixás têm sido expulsos, vítimas de violência física, mortos; terreiros atacadados e depredados, enfim, a intolerância religiosa faz parte do cardápio do dia.

Um ano atrás a Polícia Militar em Minas invadiu, a partir de uma denúncia anônima que ali funcionava um cativeiro, oIlê Unzo Atim Nzaze Iya Omin, ofendeu religiosos, agrediu pessoas e o caso só nao caiu no esquecimento porque organizações do Movimento Negro e religiosas agiram acionando os órgãos públicos tomaram as medidas cabíveis que o caso exigia.

Agora, mais recentemente, vem de Belo Horizonte um novo caso de intolerância religiosa. Depois de quatro meses para abrir uma conta bancária, necessária para recimento de recursos de projetos sociais e manutenção da própria casa de terreiro, a Mame’tu Kitaloiá da Associação Religiosa Ilê Jacutá de Iansã, acompanhada da coordenadora nacional do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-brasileira (CENARAB), Makota Celinha, ouviram de um gerente da Caixa Econômica a seguinte argumentação para a não abertura da conta corrente: “O conselho da agência após analisar a solicitação indeferiu o pedido da Associação, oferecendo a mesma apenas a possibilidade de abertura de uma conta poupança”. Indagado sobre o por quê disso, visto ser a Associação uma entidade registrada e inscrita no Conselho Nacional de Pessoas Jurídicas e se encontrar em dia com sua documentação e obrigações, a resposta dada foi a de que “assim como a senhora escolhe um banco para sua movimentação bancária, o banco escolhe o cliente com o qual deseja trabalhar. E neste caso a Caixa Econômica não se interessa por este tipo de cliente”. Indagado ainda se a motivação para esta postura, era pelo fato da Associação se tratar de um candomblé, o gerente respondeu que “a Caixa Econômica se sentia no direito de ter o cliente que lhe interessava, e que se quiséssemos o Conselho havia definido pela Conta Poupança”.

Na semana passada, a Prefeitura de Salvador resolveu derrubar o terreiro Oyá Onipó Neto, que está há 28 anos instalado no mesmo lugar. Dada a repercussão do caso, o prefeito retirou a ordem mas o estrago já estava feito. Grande parte do terreiro ruiu e com ele as imagens dos santos e os espaços sagrados do terreiro foram jogados destruídos. O prefeito ainda tentou um acordo com a mãe-de-santo da casa, mas organizações importantes do Movimento Negro e religiosas entenderam que o que estava se vendo ali era um grave caso de intolerância religiosa e racismo institucional, portanto, nao caberia apenas a resolução do caso deste terreiro específico, mas, antes de tudo uma retratação pública e a garantia da prefeitura de que situações como essa não mais se repetirão.

Para que isso ocorra o ogan do Ilê Oxumarê e coordenador geral do Coletivo de Entidades Negras, Marcos Rezende, entrou em greve de fome com o apoio de sua organização, de várias organizações do Movimento Negro e dos terreiros religiosos. Nos ultimos dias uma corrente de apoio e solidariedade tem se erguido de norte a sul do país a favor de uma resolução para o caso. No entanto, é visível a omissão de parlamentares, órgãos públicos (Seppir, por exemplo), grupos político-partidá rios, que simplesmente se calam, como se casos de intolerância religiosa não lhes dissessem respeito.

O Brasil está vivendo um momento complicado no que tange às relações étnico-raciais. No momento em que negros e negras passam a reivindicar espaços na educação formal, no mercado de trabalho, nos veículos de comunicação, na economia e nas esferas de poder, os racistas brasileiros e seus porta-vozes resolvem dizer que os negro é que estão querendo dividir o pais entre racistas e não racistas. Ou seja, quando a vítima de racismo se rebela, é, ela mesma, taxada de racista por aqueles que a discriminam. Uma total esquizofrenia social que, tal como a jabuticaba…

Enfim, o racismo a brasileira está na ordem do dia e com ele a intolerância religiosa. Atitudes urgentes precisam ser tomadas e não bastam apenas ficar nos discursos. É necessário que o Estado brasileiro se posicione, que órgãos públicos legislativos, executivos e judiciários estejam atentos ao que está acontecendo. Pois chegará o momento em que as vítimas começarão e se revoltar e passarão a reagir. E quando isso acontecer talvez será muito tarde para buscar soluções que já deveriam ter sido implementadas há mais de cem anos.

                     

*   Coordenador do Coletivo de Entidades Negras – CEN/RJ – Integrante de MamaPress – Agência de Comunicações Afro e Indígena – Alemanha – Colunista do Afropress.

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