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lançamento

A história de Itajaí a partir dos Caetanos

pretos e brancos

 

O historiador José Bento Rosa da Silva lança, neste sábado, 16, às 16h, no bar Corrêa, situado a Rua São Vicente, 240, seu terceiro livro de história. “Caetanos & Caetanos: tradição oral e história (em preto e branco)” é resultado de uma minuciosa pesquisa e de um olhar apurado. Quem eram os Caetanos, sobrenome que os negros escravos herdaram? A partir dessa pergunta, Bento vasculhou processos de compra e venda de escravos no século 19, acompanhou as intrigas políticas pelas atas da câmara de vereadores, debruçou sobre centenas de periódicos, além das entrevistas com afrodescendentes.

 

O autor faz, no início, uma genealogia e uma história das relações de poder dos Caetanos brancos, a partir de Manoel Caetano Vieira e de sua expansão patrimonial na freguesia de Penha do Itapocorói. Nos documentos e nos jornais, há evidência de que os Caetanos brancos ocupavam uma posição privilegiada na sociedade. E o que isso significa? Para o historiador, muito. As fontes históricas falam de seu tempo. E nesse tempo, ainda de escravidão, só a voz dos privilegiados ganhava espaços nos registros históricos. Quando se falava dos negros, era sempre a partir do olhar do branco. Quando a voz dos negros aparecia nos processos, era na condição de réu, acusado ou denunciado.

 

Com isso, as fontes orais ganham mais relevância. “A história oral recupera os atores excluídos da história, como no caso dos Pretos Caetanos”, explica Bento.  Para o historiador, “durante algum tempo, as fontes orais eram tidas como inferiores”, principalmente por autores conservadores que escreviam para manter viva a memória de pessoas privilegiadas na sociedade. Mas a partir do final da segunda guerra mundial surgiram novas abordagens historiográficas que permite fazer “uma história vista de baixo”.  “Caetanos e Caetanos” segue essa militância, de narrar a história de grupos que durante longo período da história foram silenciados.

 

Bento ouviu muitas histórias sobre o tempo da escravidão e do cotidiano dos afrodescendentes na cidade. Essa é uma forma de contrapor aos documentos produzidos numa sociedade onde os negros eram destituídos de direitos. E mesmo quando passam a existir leis que dão direitos aos negros, após a abolição da escravatura, em 1888, os lugares privilegiados eram ocupados por brancos. E Bento é pontual nesta questão: quem são os “homens bons”. Homens que vendiam escravos.

 

O livro mostra a presença dos afrodescendentes e dos mecanismos de silenciamento da cultura desses grupos. Por meio da história oral, Bento dá visibilidade aos territórios negros em Itajaí, como no Beco do Quilombo. Mas do que mostrar esses territórios, Bento apresenta os conflitos, as práticas de intolerância com os rituais religiosos, os discursos polêmicos em periódicos. Entre os casos, uma briga ocorrida entre católicos e fiéis da Assembléia de Deus, no Beco do Quilombo.

 

 

Livro: Caetanos & Caetanos: tradição oral e história (em preto e branco), de José Bento Rosa da Silva.

Contato: José Bento Rosa da Silva – 99426242

Texto: José Isaías Venera – Jornalista / SC 01522

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editora Maria do Cais

lança livro sobre

o Ensino de História

publicação inaugura a Coleção Ensino de História. lançamento será nesta sexta, dia 4, às 20 horas, na Casa Aberta Livraria Alternativa, em Itajaí.

            

será lançado sexta, dia 4, o livro “Digressões sobre o Ensino de História: Memória, História Oral e Razão Histórica”. a publicação traz importantes reflexões a respeito do trabalho de historiadores e professores de História. o lançamento acontece às 20 horas, na Casa Aberta Livraria Alternativa, em Itajaí.

o livro é publicado pela Editora Maria do Cais, da Fundação Genésio Miranda Lins (FGML), em parceria com o Grupo de Pesquisa Memória, História e Educação, da Faculdade de Educação da Universidade de Campinas (Unicamp). organizada pela professora Ernesta Zamboni, que coordena o grupo, a publicação apresenta aos leitores três textos que trazem significativas contribuições para os profissionais da educação, principalmente professores ligados à pesquisa e ao ensino de História.

O Ensino de História

entre os textos publicados, está “A Memória e o Ensino de História Hoje: um Desafio nos Deslizamentos de Sentidos”, de Alexia Pádua Franco e Raquel Alvarenga Sena Venera. Raquel é professora do curso de História da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), onde participa do Grupo de Pesquisa Cultura, Identidade e Ensino de História. além de realizar pesquisas nas áreas de Ensino de História e História da Educação, também presta assessoria voluntária ao Centro de Documentação e Memória Histórica de Itajaí nos assuntos relacionados à educação histórica.

Raquel Venera argumenta que a História Ensinada não é uma área nova. “temos registros, por exemplo, nos séculos XVII e XVIII, de pensadores como Rousseau e Comunius, que relacionaram a construção do patriotismo, civismo, boas maneiras a educação. e fazia parte desses projetos modernos ensinar os feitos do Império, do Estado”. a historiadora observa ainda que pensar em qual História deve ser ensinada às crianças não é algo novo, mas o que pode ser considerado razoavelmente novo são as  pesquisas sobre o Ensino da História.

para a pesquisadora, o Ensino de História é um campo de conhecimento interdisciplinar, que não deve ser entendido como “um conjunto de conteúdos históricos, produzidos pela historiografia e ensinados nas escolas. Isso é uma forma simplista de abordagem”. Raquel compreende e trabalha o Ensino de História de forma mais ampliada: um conhecimento que vem do cotidiano da vida, das memórias narradas, perpassa pela historiografia.

“há 20 anos temos publicações sobre o Ensino de História, mas elas se restringiam em relatos de experiências de professores. isso foi muito importante em um momento que saímos do costume de ensinar datas comemorativas, patriotismo e civismo e precisávamos dividir outros fazeres e possibilidades em sala aula”, ressalta a professora.

as categorias da História, como Memória, Identidade, Gênero; as metodologias ou técnicas, como a História Oral, o trabalho com fontes pictóricas; os “princípios” da História, como a desnaturalização e a provisoriedade, devem ser repensados a partir de questões que surgem no ofício de ensinar. “nesse sentido está a relevância do livro. estamos pensando a ciência histórica a partir das realidades de ensino e pensando o ensino a partir do conhecimento histórico”, esclarece Raquel.

o livro

Os textos de “Digressões sobre o Ensino de História” foram escritos a partir de pesquisas desenvolvidas na área, que trabalham situações em que a ação de ensinar a História provocou algum desconforto. “esse é o ponto que acredito, possa contribuir com a prática docente”, pontua Raquel Venera.

a autora prossegue, trazendo à tona alguns questionamentos: “por exemplo, como podemos pensar os conceitos de memória e tantas teorias que nós, historiadores, estudamos, diante de manifestações claras dos adolescentes de que estamos em um tempo de supervalorização do presente? como podemos pensar em História Oral e formação de professores e historiadores? como fica a identidade do professor de História? a História ensinada produz uma consciência histórica?”.  estas são algumas discussões presentes no livro.

para o superintendente da Fundação Genésio Miranda Lins, José Roberto Severino, “Digressões sobre o Ensino de História: Memória, História Oral e Razão Histórica” traz reflexões que permitem pensar de forma crítica o trabalho do historiador e do professor de História na organização do conhecimento histórico. “estas reflexões penetram de forma pertinente no âmbito do fazer historiográfico, assim como nos conceitos que embasam as atividades que lidam com o conhecimento histórico”, observa.

lançamento

“no lançamento do livro em Itajaí, estou representando os demais autores e a organizadora. mas quero dizer que estamos muito felizes com o resultado do trabalho”, afirma Raquel Venera. ela informa ainda que além de estar sendo lançado em todo o país, “Digressões sobre o Ensino de História” foi indicado no curso de formação de professores de História da PUC – Campinas e como bibliografia de um concurso público para professores de História em Juiz de Fora (MG). “ele acabou de sair da gráfica e já está sendo muito bem lido”, comemora.

a Casa Aberta Livraria Alternativa fica na Rua Lauro Müller, nº 83, no Centro de Itajaí, próximo à Caixa Econômica Federal.

         

fonte:

* Fundação Genésio Miranda Lins (FGML) / Editora Maria do Cais – fone: 3348-1886

* Raquel Alvarenga Sena Venera – fones: 3349-8407 / 9912-0373

* texto: André Pinheiro / SC 01159-JP

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