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Archive for junho \23\UTC 2008

antônimo

antônimo

.

quero sair anônimo

no meio da turba,

ser ignorado

em plena praça pública;

.

não quero ter mais nada

a ver com ninguém,

nem ter minha vida

transformada em refém

.

de controladores de conduta:

vão embora, me esqueçam!

deixem-me ir à luta,

desapareçam e cresçam!

.

eu quero sair antônimo

hoje, no meio da chuva

cansei de ser um sinônimo

a mais no meio da chusma

.

andré pinheiro, 1999

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matéria-prima

matéria-prima

um campo de batalha; uma bela paisagem. a rua deserta ou o teatro lotado. o carinho, a agressão, um desenho de criança, uma flor que se abre, o sol… singularplural: o humano, o diabólico, divinamente insano.
a fumaça que sobe; uma entidade que baixa. a magnitude de uma mulher e a crueldade de um homem. a chuva, o som de um violão, um tapa no rosto. e o gosto da atmosfera suburbana das feiras, igrejas e botecos. a crueza de um blues; um desejo atrevido sem nexo: tua cama ou a lama?
sangue livros placas ataúdes:
um anjo
trôpego
de paixão
e vinho.
vou e vôo com o vento; retorno com a canção, prenúncio da poesia
que está contida
na luz, na vida:
matéria-prima
da inspiração.

andré pinheiro

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livrevício

livrevício 

 

não me livro

dos meus livros

sem alívio

 

se dilúvio

ou desnível,

impensável

é renunciar ao impossível

 

tenho sido

pouco visto

e não me dou

a muitos vícios,

teço trevas

e abismos

 

destravo trovas

e assovio

num mergulho

ao inverossímil

 

dito isto

não desisto,

só repito

e reinsisto:

 

estou vivo

e me alivio,

regozijo,

refugio

nos meus livros

 

me alimento

dos meus vícios,

dos quais

não me livro

sem alívio

 

por isso

é que vivo

e livre

me sinto

quando me entrego

aos livros

             

 

                              andrepinheiro

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