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Archive for abril \30\UTC 2008

cemitério

cemitério 

            

a chuva que cai

sobre as lápides

lava o velho rosto da história

de vidas anônimas,

de almas antônimas

que habitam este ermo lugar

 

o vento que sopra

entre as pedras

e os paus das cruzes

apaga as velas, refaz as lembranças

e o brilho de olhares

e vozes e passos e vultos

 

entre epitáfios e lamentos;

flores e estátuas: sofrimento…

canções e adeuses

suspensos no ar

 

o escuro da noite

mascara o pesar,

transforma em silêncio,

talvez em mistério,

o choro daqueles que já são saudade

e habitam um mundo

chamado pretérito,

cravados no solo de um cemitério

                     

 

                         andrepinheiro

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Sylvia Plath será homenageada

no Sarau Benedito

encontro literário acontece nesta segunda, 28, às 20h30, no bar Café e Cultura, em Itajaí.

 

em 11 de fevereiro de 1963, a poetisa estadunidense Sylvia Plath, vivendo em Londres com seus dois filhos pequenos, pôs fim à vida aos 30 anos de idade. seu suicídio deu origem a uma vasta mitologia popular. depois de sua morte, com a publicação de Ariel, em 1965, muitas pessoas, especialmente mulheres, descobriram na obra deixada por ela uma revelação chocante de elementos extremistas presentes em suas próprias psiques. Plath tornou-se porta-voz das gerações iradas, desiludidas, desnorteadas dos anos 60 e 70. a tragédia de seu suicídio e o vigor de seus últimos poemas pareciam juntar as polaridades da vida e da arte, num gesto incontestavelmente dramático de desafio feminino: “o jato de sangue é poesia. não há como estancá-lo”.

este fragmento, extraído de “Amarga Fama”, biografia de Sylvia Plath escrita por Anne Stevenson, nos dá uma pequena idéia de quem foi a poetisa homenageada desta segunda, 28, no Sarau Benedito. o evento terá início às 20h30, no bar Café e Cultura, que fica no Mercado Público, Centro de Itajaí.

apareça e leve seus poemas para ler ou declamar. ou então o violão, para fazer um som.

                   

Margem (Edge)

             

A mulher ficou perfeita.

Seu corpo

 

Morto sorri o sorriso da realização,

A ilusão de uma necessidade grega

 

Corre nos papiros de sua toga,

Seus pés

 

Descalços parecem dizer:

Fomos tão longe, acabou.

 

Cada criança morta encolhida, uma serpente branca,

Uma em cada pequena

 

Bilha de leite, agora vazias.

Ela as recolheu

 

Novamente a seu corpo como pétalas

De uma rosa fechada quando o jardim

 

Endurece e os cheiros sangram

Das gargantas profundas e doces das flores noturnas.

 

A lua não tem por que ficar triste,

Vendo tudo de seu capuz de osso.

 

Ela está acostumada com esse tipo de coisa.

Suas rachaduras negras crepitam e arrastam.

           

                        Sylvia Plath.

 

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Itajaí homenageia babalorixá

mais antigo em atividade no estado

O itajaiense Altamiro Pereira, mais conhecido como Pai Altamiro, completa 50 anos no mais alto cargo da religião de Umbanda. Homenagem será realizada nesta terça, dia 22, na Casa da Cultura Dide Brandão, às 20h30.

 

A Constituição Brasileira de 1988 estabelece como direitos fundamentais, em seu Artigo 5º, Inciso VI, a liberdade de crença e o livre exercício dos cultos religiosos. Mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que professar crenças diferentes do Catolicismo, como as religiões afro-brasileiras, resultava em perseguições, preconceito e até mesmo agressões. O babalorixá mais antigo em atividade no estado, Altamiro Pereira, pode hoje relembrar as dificuldades enfrentadas na década de 50, quando chegou ao mais alto cargo da hierarquia da Umbanda. “Naquele tempo não tinha atabaque, as sessões eram acompanhadas somente por palmas. E, mesmo assim, as pessoas jogavam muita pedra. A pedra comia solta, a ponto de fazer terminarem as sessões”, relata.

Pai Altamiro, como é popularmente conhecido, completa agora 50 anos como babalorixá, (na linguagem popular, pai-de-santo). Pela sua trajetória como líder religioso e suas contribuições à cultura e à religiosidade afro-brasileira, ele será homenageado na próxima terça, dia 22, às 20h30, na Casa da Cultura Dide Brandão, em Itajaí. A iniciativa é da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial (Coepir), Fundação Cultural de Itajaí e Fundação Genésio Miranda Lins (FGML). A homenagem, que contará com apresentações culturais, deverá reunir líderes e integrantes da comunidade religiosa afro-brasileira local e regional, além de simpatizantes e autoridades.

Pai Altamiro

O contato do itajaiense Altamiro Pereira com a Umbanda aconteceu, como ele mesmo revela, devido a “um sofrimento espiritual muito grande”. Ele não se fez de rogado e logo atendeu ao chamado da espiritualidade: “aos 14 anos eu já me desenvolvi, já era desenvolvido”, conta. Sua preparação como pai-de-santo, em 1958, foi realizada em Florianópolis por Malvina Ayroso de Barros, a popular Mãe Malvina, considerada a mãe-de-santo pioneira da Umbanda em Santa Catarina.

Aos 70 anos de idade, Pai Altamiro mensalmente dirige os trabalhos espirituais no Centro Espírita São Jorge Guerreiro, a casa de Umbanda fundada por Mãe Malvina no bairro do Estreito, em Florianópolis. Responsável pela preparação de outros 24 pais e mães-de-santo em Itajaí e vários outros em diversas cidades catarinenses, o filho de Ogum Beira-mar relembra a formação da comunidade umbandista itajaiense. “Naquele tempo não se trabalhava à noite. As sessões eram todas à tarde, às segundas, quartas e sextas-feiras”.

O líder religioso menciona ainda algumas figuras da fase inicial da Umbanda em Itajaí: “tinha o terreiro da Dona Olga, aqui na Rua Almirante Barroso, isso em 1954. Tinha o Seu Liberato, tinha o Pedro da Broa, na atual Caninana (Avenida Irineu Bornhausen). Tinha muito poucos terreiros”. De maneira descontraída, Pai Altamiro demonstra ainda consciência a respeito de sua responsabilidade pelo desenvolvimento da Umbanda e pelos caminhos trilhados por esta religião em Itajaí: “Na Umbanda, dentro de Itajaí, é tudo cria minha”, brinca.

Memória dos Bairros

As narrativas de Altamiro Pereira sobre a Umbanda em Itajaí estão registradas em uma entrevista filmada, com aproximadamente uma hora de duração, que integra o acervo do Programa Memória dos Bairros, da Fundação Genésio Miranda Lins. O programa conta com um acervo de aproximadamente 200 depoimentos de memorialistas de diversas comunidades, que falam sobre diversos aspectos da história de Itajaí.

Para a coordenadora de Promoção da Igualdade Racial de Itajaí, Maria Conceição Pereira, a homenagem a Pai Altamiro é cercada de muita emoção. “Trabalhamos pela inclusão e buscamos dignidade e respeito para as religiões de matriz africana”, afirma. De acordo com ela, os representantes da Umbanda e do Candomblé, convidados para o evento, têm respondido muito bem à iniciativa de homenagear o líder religioso.

 

Fontes:

Altamiro Pereira (Pai Altamiro) – Fone: (47) 3241-2042 / Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial (Coepir) – Coordenadora: Maria Conceição Pereira – Fone: (47) 3341-6148 / Fundação Cultural de Itajaí – Fone: (47) 3341-6131 / Fundação Genésio Miranda Lins (FGML) – Fone: (47) 3348-1886

Texto: André Pinheiro / Jornalista – SC 01159-JP / Fotos: Bianca Minuzzi (FGML)

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CONVITE

        

A Prefeitura de Itajaí, a Fundação Cultural de Itajaí, a Fundação

Genésio Miranda Lins e a Coordenadoria de Promoção da Igualdade

Racial e Gênero de Itajaí convidam a todos para a homenagem a

 

PAI ALTAMIRO

Sr. Altamiro Pereira,

pelos seus 50 anos como Babalorixá.

             

Data: 22/04/2008

Horário: 20h30

Local: Casa da Cultura Dide Brandão – Centro – Itajaí – SC

            

 

                         andrepinheiro, 21/04/2008.

 

 

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manifesto boca-suja

 

 

manifesto boca-suja

 

eu uso termos chulos

para expressar o belo

e o absurdo

da existência humana

 

impossível é agradar

a gregos e goianos

ou viver puxando o saco

de negros e troianos

 

eu uso termos chulos

com maturidade,

explorando a força e a intensidade

da palavra feia,

que marca e incendeia

qualquer discussão

 

eu uso termos chulos

contra a hipocrisia

de quem fala polido

de quem fala macio,

mas no íntimo planeja

uma traição

 

eu uso termos chulos,

embora tenha bom vocabulário,

porque me sinto livre

para encher a boca

e cuspir palavrão

 

eu uso termos chulos, sim

e quem não gostou

que vá…

               

                                     andrepinheiro 

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enquanto você pensa…
 

   

enquanto você pensa
  

no que eu sou,
  

já fui;

      

       

enquanto você vem
  

até onde estou,
  

já mudei

           

  

de forma
  

cor, expressão,
  

tamanho, peso,
  

situação

        

pois enquanto você pensa,

eu existo

                 

                  

              

                              andrepinheiro

                 

 

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editora Maria do Cais

lança livro sobre

o Ensino de História

publicação inaugura a Coleção Ensino de História. lançamento será nesta sexta, dia 4, às 20 horas, na Casa Aberta Livraria Alternativa, em Itajaí.

            

será lançado sexta, dia 4, o livro “Digressões sobre o Ensino de História: Memória, História Oral e Razão Histórica”. a publicação traz importantes reflexões a respeito do trabalho de historiadores e professores de História. o lançamento acontece às 20 horas, na Casa Aberta Livraria Alternativa, em Itajaí.

o livro é publicado pela Editora Maria do Cais, da Fundação Genésio Miranda Lins (FGML), em parceria com o Grupo de Pesquisa Memória, História e Educação, da Faculdade de Educação da Universidade de Campinas (Unicamp). organizada pela professora Ernesta Zamboni, que coordena o grupo, a publicação apresenta aos leitores três textos que trazem significativas contribuições para os profissionais da educação, principalmente professores ligados à pesquisa e ao ensino de História.

O Ensino de História

entre os textos publicados, está “A Memória e o Ensino de História Hoje: um Desafio nos Deslizamentos de Sentidos”, de Alexia Pádua Franco e Raquel Alvarenga Sena Venera. Raquel é professora do curso de História da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), onde participa do Grupo de Pesquisa Cultura, Identidade e Ensino de História. além de realizar pesquisas nas áreas de Ensino de História e História da Educação, também presta assessoria voluntária ao Centro de Documentação e Memória Histórica de Itajaí nos assuntos relacionados à educação histórica.

Raquel Venera argumenta que a História Ensinada não é uma área nova. “temos registros, por exemplo, nos séculos XVII e XVIII, de pensadores como Rousseau e Comunius, que relacionaram a construção do patriotismo, civismo, boas maneiras a educação. e fazia parte desses projetos modernos ensinar os feitos do Império, do Estado”. a historiadora observa ainda que pensar em qual História deve ser ensinada às crianças não é algo novo, mas o que pode ser considerado razoavelmente novo são as  pesquisas sobre o Ensino da História.

para a pesquisadora, o Ensino de História é um campo de conhecimento interdisciplinar, que não deve ser entendido como “um conjunto de conteúdos históricos, produzidos pela historiografia e ensinados nas escolas. Isso é uma forma simplista de abordagem”. Raquel compreende e trabalha o Ensino de História de forma mais ampliada: um conhecimento que vem do cotidiano da vida, das memórias narradas, perpassa pela historiografia.

“há 20 anos temos publicações sobre o Ensino de História, mas elas se restringiam em relatos de experiências de professores. isso foi muito importante em um momento que saímos do costume de ensinar datas comemorativas, patriotismo e civismo e precisávamos dividir outros fazeres e possibilidades em sala aula”, ressalta a professora.

as categorias da História, como Memória, Identidade, Gênero; as metodologias ou técnicas, como a História Oral, o trabalho com fontes pictóricas; os “princípios” da História, como a desnaturalização e a provisoriedade, devem ser repensados a partir de questões que surgem no ofício de ensinar. “nesse sentido está a relevância do livro. estamos pensando a ciência histórica a partir das realidades de ensino e pensando o ensino a partir do conhecimento histórico”, esclarece Raquel.

o livro

Os textos de “Digressões sobre o Ensino de História” foram escritos a partir de pesquisas desenvolvidas na área, que trabalham situações em que a ação de ensinar a História provocou algum desconforto. “esse é o ponto que acredito, possa contribuir com a prática docente”, pontua Raquel Venera.

a autora prossegue, trazendo à tona alguns questionamentos: “por exemplo, como podemos pensar os conceitos de memória e tantas teorias que nós, historiadores, estudamos, diante de manifestações claras dos adolescentes de que estamos em um tempo de supervalorização do presente? como podemos pensar em História Oral e formação de professores e historiadores? como fica a identidade do professor de História? a História ensinada produz uma consciência histórica?”.  estas são algumas discussões presentes no livro.

para o superintendente da Fundação Genésio Miranda Lins, José Roberto Severino, “Digressões sobre o Ensino de História: Memória, História Oral e Razão Histórica” traz reflexões que permitem pensar de forma crítica o trabalho do historiador e do professor de História na organização do conhecimento histórico. “estas reflexões penetram de forma pertinente no âmbito do fazer historiográfico, assim como nos conceitos que embasam as atividades que lidam com o conhecimento histórico”, observa.

lançamento

“no lançamento do livro em Itajaí, estou representando os demais autores e a organizadora. mas quero dizer que estamos muito felizes com o resultado do trabalho”, afirma Raquel Venera. ela informa ainda que além de estar sendo lançado em todo o país, “Digressões sobre o Ensino de História” foi indicado no curso de formação de professores de História da PUC – Campinas e como bibliografia de um concurso público para professores de História em Juiz de Fora (MG). “ele acabou de sair da gráfica e já está sendo muito bem lido”, comemora.

a Casa Aberta Livraria Alternativa fica na Rua Lauro Müller, nº 83, no Centro de Itajaí, próximo à Caixa Econômica Federal.

         

fonte:

* Fundação Genésio Miranda Lins (FGML) / Editora Maria do Cais – fone: 3348-1886

* Raquel Alvarenga Sena Venera – fones: 3349-8407 / 9912-0373

* texto: André Pinheiro / SC 01159-JP

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