
Sarau Benedito homenageia Cruz e Sousa nesta segunda
Poeta negro foi o expoente maior do Simbolismo no Brasil. Encontro literário terá início às 21 horas, no Aldeia Bistrot, em Itajaí. A entrada é gratuita.
Desterro. O antigo nome de Florianópolis é também uma palavra que diz muito sobre a própria vida de Cruz e Sousa. Ao traduzir em versos uma imensa carga de padecimentos o poeta, dono de uma alma extremamente sensível, tornou-se a figura maior do Simbolismo brasileiro.
Nesta segunda, dia 1º, João da Cruz e Sousa será o homenageado do Sarau Benedito. Com entrada gratuita, o evento acontece a partir das 21 horas, no Aldeia Bistrot, em Itajaí.
Iniciado em fevereiro deste ano, o Sarau Benedito é um encontro literário que acontece quinzenalmente nas noites de segunda-feira. Marcado por leituras e declamações de poemas de autores consagrados e de novos nomes da nossa literatura, o evento vem reunindo um bom público no Aldeia Bistrot.
Na abertura do Sarau, os organizadores apresentam e fazem leituras sobre o tema ou o homenageado da noite. Num segundo momento, após os comentários e leituras ou declamações de Cruz e Sousa, o microfone serão abertos a todos aqueles que estiverem dispostos apresentar poemas, sejam eles de própria autoria ou de outros poetas. O Sarau Benedito é promovido pelo coletivo de escritores responsável pela produção do caderno literário CLAP.
O Aldeia Bistrot fica próximo à Igreja Matriz e ao Hospital Universitário Pequeno Anjo. Para aqueles que moram longe, várias linhas passam pelo ponto de ônibus que fica bem ao lado do local.
Cruz e Sousa
Nascido na então capital da província de Santa Catarina em 1862, o poeta negro experimentou uma vida marcada por humilhações, sofrimentos e privações até 1898, quando morreu de tuberculose na localidade de Sítio (MG). Filho de escravos, o menino negro batizado em homenagem a São João da Cruz herdou o sobrenome Sousa de seus senhores, que também oportunizaram a sua instrução.
Ainda em Santa Catarina, a perseguição racial o impede de assumir o cargo de promotor público em Laguna. Em 1890, segue para o Rio de Janeiro, onde conhece a poesia simbolista francesa. Escreve para alguns jornais e, no ano de 1893, publica os livros Missal e Broquéis.
Embora já tivesse publicado e fosse bastante conhecido, tudo o que consegue é um emprego miserável na Estrada de Ferro Central. Com sua esposa, Gavita, tem quatro filhos. Dois deles morrem e Gavita enlouquece, passando por várias internações em hospitais psiquiátricos. Lutando contra todas as adversidades possíveis, imagináveis e inimagináveis para um negro letrado que buscava inserção social logo após a abolição, contrai tuberculose e vem a falecer antes de completar 36 anos de vida.
Texto: André Pinheiro / SC 01159-JP
Fotos do Sarau Benedito no blog saraubenedito.wordpress.com.
nossa nunk pensei q a história dessa nobre pessoa fosse tão bonita…
Gostei muito da sua historia, foi um pouco triste mas no fim foi uma pessoa conhecida no periodo do simbolismo.
O seu exemplo pode ser como referncia para o futuro .
Pelo amor de Deus!!! Um pouco Triste? Não vi nada além de tristeza e nada de beleza na história da vida, breve, mas produtiva, muito mais produtiva que a de muitas pessoas que vivem quase cem anos. Grande injustiça histórica. Mais uma de tantas.